O Fantasma da Ópera Garnier é um livro de Gaston Leroux publicado em 1910. É «na fronteira entre o romance policial e o fantástico». A história se passa na Ópera Garnier, no coração de Paris, nas proximidades do Printemps e das Galeries Lafayette. O que se pode considerar como verdadeiro, falso ou fruto da imaginação do autor?
Nota:
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Nesta experiência de jogo extraordinária, seguirá os passos do famoso Arsène Lupin e tentará resolver o único enigma que lhe resistiu: o segredo do conde de Cagliostro! Durante esta investigação empolgante para todos os públicos, explorará os sumptuosos espaços do Palácio Garnier, transformados num cenário de jogo à escala real incrível. Mistérios e surpresas estarão à sua espera nesta aventura inédita!
Gaston Leroux, advogado, jornalista judicial e escritor francês
Gaston Leroux era um escritor francês, nascido
em 6 de maio de 1868 em Paris (10.º arrondissement) e falecido em 15 de abril de 1927 em Nice (Alpes-Maritimes). É sobretudo conhecido pelos seus romances policiais fantásticos. O seu livro O Mistério do Quarto Amarelo (O Mistério do Quarto Amarelo, obra-prima de engenhosidade que inspirou os Surrealistas, granjeou-lhe grande sucesso em 1908. Escreveu depois outros romances no mesmo estilo, como O Fantasma da Ópera em 1910, A Boneca Sangrenta em 1923 e a série Chéri-Bibi a partir de 1913.
Os eventos que deram origem à escrita de O Fantasma da Ópera
O final do século XIX foi marcado por vários eventos diretamente ou indiretamente ligados aos teatros de ópera.
Uma queda de lustre na Ópera Garnier em 20 de maio de 1896
O Palácio Garnier foi finalmente inaugurado em 1875, estando, portanto, praticamente novo nessa data.
Analisando os detalhes desse drama, o que caiu não foi o lustre, mas um dos contrapesos do lustre localizado no sótão — pesava nada menos que 750 kg! Ele atravessou o teto, depois o piso das camarotes do quinto andar, felizmente vazias, antes de se espatifar nos assentos 11 e 13 das camarotes do quarto andar, onde se encontrava uma senhora muito discreta, apaixonada por ópera, Claudine Chomeil, nascida Rispal. Ela morreu instantaneamente. Muitas pessoas ficaram feridas no tumulto.
Nenhuma explicação concreta foi dada sobre o motivo pelo qual a corrente que sustentava o contrapeso se rompeu.
O reservatório localizado sob o Palácio Garnier
Desde o início das obras, em 1862, os construtores depararam-se com um solo arenoso e encharcado. A natureza do terreno colocava em risco a concepção das fundações de parte do edifício, elevando seus custos e atrasando, em certa medida, sua conclusão.
A solução imaginada pelos engenheiros foi criar um revestimento estanque para conter as pressões subterrâneas e as infiltrações. Funcionava como uma tina sobre uma lâmina d’água, que podia ser mais ou menos preenchida para afundá-la no solo esponjoso e estabilizar o edifício à medida que era construído (o Palácio Garnier), apoiando-se contra as paredes do revestimento.
O reservatório foi construído em camadas de agregado com 2,20 m de espessura, utilizando cimento Portland, betão, cal hidráulica e betume. Em seguida, foram realizadas as abóbadas invertidas (intradorso), os pilares e as abóbadas comuns em tijolos de Borgonha, que formam o solo do quinto subsolo da cena.

O espaço assim delimitado permite armazenar 2 400 m³ de água — ou seja, 2 400 toneladas — facilitando a distribuição das cargas descendentes provenientes da parte mais alta e imponente do palácio, a caixa cénica, mas também a mais vazia.
O reservatório localiza-se sob a caixa cénica e tem acesso por duas escadas metálicas que mergulham na água. Também é possível entrar por uma ampla passagem em balanço, a segunda dos dezoito níveis situados atrás da caixa cénica.
O estado estrutural do reservatório e das suas abóbadas é regularmente controlado. A água do reservatório é totalmente esvaziada a cada vinte anos. Uma brigada de mergulhadores dos bombeiros de Paris treina regularmente no local. Este reservatório também serve como solução de emergência em caso de incêndio nas redondezas. Em tempos, peixes viviam no reservatório, mas após uma produção coreográfica contemporânea que utilizava efeitos de chuveiro especiais nos dançarinos ter provocado o derramamento de um desinfetante no reservatório, os peixes vermelhos, carpas e outros siluros e barbos que ali se encontravam pereceram.
O rio da Grange-Batelière
É um curso de água mítico que corre sob a rua da Grange-Batelière (logo a norte do boulevard Haussmann). Originalmente, havia uma fazenda fortificada construída em 1243, conhecida como Grange-Batelière. Ficava localizada na rua Drouot, número 9, no 9.º arrondissement de Paris, a norte da muralha de Carlos V e a sul do ribeiro de Ménilmontant, hoje rua de Provence. O feudo da Grange-Batelière estendia-se por 58 hectares, dos Campos Elísios ao caminho de Montmartre (atuais ruas Montmartre e do Faubourg-Montmartre).
A fazenda foi destruída em 1847. A extensão da rua Drouot entre as atuais ruas Rossini e de Provence foi construída em suas terras. A curva da rua Rossini marca o canto sudeste do terreno da Grange-Batelière. A lenda do rio da Grange-Batelière tem origem na proximidade do riacho de Ménilmontant, que se tornou o grande esgoto sobre o qual foi traçada a rua de Provence e que foi coberto a partir de 1760.
Esse esgoto, substituído no meio do século XIX por uma nova rede, está seco desde então e não passa precisamente sob a rua da Grange-Batelière — nem sob a Ópera Garnier, aliás.
Os inúmeros incêndios dos teatros
Naquela época, os incêndios em teatros eram frequentes, devido ao uso de velas e à inflamabilidade das cenografias pintadas. Na noite de 14 para 15 de janeiro de 1838, um incêndio destruiu a sala Favart após uma apresentação da ópera-cômica *Don Giovanni* de Mozart. Também houve incêndios no teatro da Ópera Le Peletier em 1873 e 1861.
Bailarinas queimadas vivas no palco
No século XIX, as bailarinas estavam constantemente expostas a perigos. As dançarinas usavam trajes de tecidos leves como musselina ou tule, extremamente inflamáveis. A iluminação a gás tornava o palco especialmente arriscado.
Em 15 de novembro de 1862, enquanto Emma Livry, jovem e promissora primeira-bailarina, ensaiava para o balé *A Muda de Portici*, sua saia de musselina entrou em contato com a chama de uma lâmpada a gás usada para iluminar o palco. Seu traje, feito de um tecido leve e inflamável, incendiou-se instantaneamente. Em questão de segundos, ela foi envolvida pelas chamas.
Apesar das tentativas para apagar o fogo (incluindo enrolá-la em um casaco), ela sofreu queimaduras em 40% do corpo. Sobreviveu oito meses em dores atrozes antes de morrer em 26 de julho de 1863, aos apenas 21 anos.
Em 1887, o vestido da dançarina Louise Mérante pegou fogo, mas ela sobreviveu.
O incêndio espetacular do Bazar da Caridade
O Bazar da Caridade era uma feira beneficente organizada em Paris a partir de 1885 pelo financista Henri Blount e presidida pelo barão de Mackau. O objetivo era vender objetos — obras de arte, curiosidades, quadros, joias, livros e doações — em prol dos mais necessitados.

A história desse evento corriqueiro foi marcada pela tragédia de 4 de maio de 1897, quando um incêndio irrompeu devido à inflamação dos vapores de éter usados para alimentar a lâmpada de um projetor de cinema.
O incêndio causou 125 vítimas, das quais 118 eram mulheres – muitas vezes presas ou queimadas vivas devido aos seus espartilhos e vestidos de crinolina extremamente volumosos e inflamáveis –, entre elas Sophie-Charlotte, duquesa de Alençon (irmã da imperatriz "Sissi"), a pintora e ceramista Camille Moreau-Nélaton, além da Senhora de Valence e suas duas filhas.
Gaston Leroux também se inspirou no romance Trilby, de George du Maurier
Publicado em livro em 1895, o romance de George du Maurier obteve grande sucesso graças ao personagem do hipnotizador Svengali, cuja criação foi inspirada na relação entre o famoso músico francês Nicolas-Charles Bochsa (†1856) e a soprano inglesa Anna Bishop.
Trilby O’Ferrall, lavadeira dotada de uma bela voz mas sem ouvido musical, cai sob o domínio de Svengali: ele a hipnotiza e a transforma numa diva, « La Svengali », que canta divinamente enquanto estiver sob o seu controle. Mais tarde, em outro concerto, Svengali é acometido por um ataque e não consegue mais hipnotizar Trilby, que passa a cantar horrivelmente, provocando risos da plateia. Trilby, desorientada, lembra-se de ter vivido e viajado com Svengali, mas não tem qualquer lembrança de uma carreira como cantora. Sai do palco, e Svengali morre. Trilby, consumida pela ansiedade, sucumbe algumas semanas depois ao fixar uma foto de Svengali.
Agora você tem todos os elementos para escrever o seu próprio romance sobre a ópera. Compare o seu trabalho ao de Gaston Leroux!
O que aconteceu com todas essas informações na obra de Gaston Leroux?
A história se passa na Ópera Garnier, um local prestigiado e da moda no final do século.
O lustre é sabotado por uma figura misteriosa.
Um personagem sofreu graves queimaduras que lhe desfiguraram o rosto.
Ele se esconde dos outros na imensidão da Ópera Garnier.
Estamos em uma ópera, com bailarinas por toda parte.
Mas uma delas é cortejada por um aristocrata, enquanto é amada pelo monstro que se esconde na ópera.
Para tornar a história mais romântica, o reservatório localizado sob a Ópera Garnier se transforma em um lago.
Esse lago é alimentado por um rio subterrâneo.
Isso leva aos personagens principais:
Erik (o Fantasma) – Um gênio desfigurado que vive nas catacumbas sob a ópera. É arquiteto, músico e ilusionista de grande talento.
Christine Daaé – Uma jovem soprano talentosa que Erik treina em segredo, na esperança de que ela retorne seu amor.
Raoul, Visconde de Chagny – Amigo de infância e pretendente de Christine, que tenta salvá-la da influência do Fantasma.
Os diretores da Ópera – Céticos quanto à existência do Fantasma, mas manipulados por suas ameaças e exigências.
O Fantasma da Ópera: a (verdadeira?) história de Gaston Leroux
O Fantasma da Ópera (1910), de Gaston Leroux, é um romance gótico que mistura mistério, romance e horror. Conta o destino trágico de Erik, o gênio desfigurado que assombra a Ópera de Paris, e seu amor obsessivo pela jovem cantora Christine Daaé.
Prólogo: O mistério da Ópera
Leroux apresenta o romance como uma história real, afirmando que o « Fantasma da Ópera » realmente existiu. Baseia-se em eventos históricos, como a queda do lustre do Palácio Garnier em 1896, para dar credibilidade à sua narrativa.
Ato 1: O Fantasma da Ópera e a ascensão de Christine
Cenário: O Palácio Garnier, Paris, anos 1880.
Os novos proprietários e a presença do Fantasma
O Ópera acaba de mudar de direção, e os novos proprietários, os senhores Moncharmin e Richard, zombam das rumores sobre o Fantasma da Ópera, uma figura misteriosa supostamente assombrando o edifício. Os antigos diretores os alertam: o Fantasma exige que a camarote n°5 lhe seja reservada e que receba 20 000 francos por mês. Os novos diretores ignoram esses avisos… mas estranhos eventos começam a ocorrer.
O sucesso repentino de Christine Daaé
A primeira-dama da Ópera, Carlotta, perde misteriosamente a voz durante uma apresentação de Fausto, e a desconhecida Christine Daaé a substitui, surpreendendo o público com sua voz angelical.
O amigo de infância de Christine, Raoul, Visconde de Chagny, assiste à apresentação e reconhece a jovem que outrora amou.
Raoul surpreende Christine falando com um homem invisível em sua camarote. Ela o chama de “Anjo da Música”, afirmando que seu pai falecido o enviou para guiar sua voz.
Ato 2: A obsessão e a inveja do Fantasma da Ópera
O Fantasma da Ópera se revela
Christine confessa a Raoul que o « Anjo da música » é, na realidade, um homem de carne e osso que a visita em segredo. Numa noite, o Fantasma sequestra Christine por um corredor oculto atrás do espelho.
A toca subterrânea do Fantasma
Christine acorda num mundo subterrâneo estranho e escuro sob a Ópera, onde Erik (o Fantasma) vive.
Erik revela-lhe o seu rosto deformado, uma horrível máscara esquelética que o obrigou a viver escondido.
Ele declara-lhe o seu amor e exige que ela fique para sempre ao seu lado. Assustada, Christine aceita usar o anel de ouro que ele lhe oferece como sinal de compromisso.
A fuga de Christine e a fúria de Erik
Christine finge aceitar, mas quando Erik a deixa subir à superfície, ela corre para avisar Raoul. O Fantasma, ao perceber que ela ama Raoul, sente ciúmes e enlouquece de raiva.
Ato 3: Tragédia e vingança do Fantasma da Ópera
O baile de máscaras e o aviso de Erik
Num baile de máscaras, Erik surge vestido de Morte Vermelha e alerta Christine para não o trair. Christine e Raoul tentam fugir secretamente de Paris juntos, mas Erik descobre o plano.
O início do reinado de terror na Ópera
Durante uma apresentação, Erik sequestra Christine no palco e a leva para seu antro subterrâneo. Ele lhe dá um ultimato: casar-se com ele ou explodirá a Ópera com explosivos.
O Persa e a busca de Raoul
O Persa, um ex-oficial do passado de Erik, ajuda Raoul a atravessar os passagens subterrâneas armadilhadas da Ópera. Eles caem na câmara de tortura de Erik, uma sala de espelhos projetada para enlouquecer suas vítimas.
O sacrifício de Christine e a redenção do Fantasma da Ópera
Christine, percebendo o sofrimento e a solidão de Erik, o beija — um gesto de bondade que ele nunca conheceu. Comovido por sua compaixão, Erik liberta Christine e Raoul e promete nunca mais revê-la. Ele lhe diz: « Vá e case-se com quem ama. »
Erik, com o coração partido, morre de desespero pouco depois, deixando um bilhete que diz: « Erik morreu. »
Temas e símbolos do Fantasma da Ópera
Beleza versus monstruosidade
Erik é feio na aparência, mas profundamente comovente e inteligente.
A sociedade o rejeita, provando que a verdadeira monstruosidade reside na crueldade das pessoas, e não nas aparências.
Amor & Obsessão
O amor de Erik por Christine é desviado e possessivo, enquanto o de Raoul é inocente e protetor.
Christine está dividida entre o medo, a piedade e o dever.
Isolamento & Tragédia
Erik, abandonado desde o nascimento, vive no exílio que ele mesmo se impôs.
Ele aspira ao amor, mas se julga indigno de obtê-lo, o que o leva à sua perdição.
Epílogo: A lenda do Fantasma da Ópera perdura
O Persa confirma que Erik existiu e que morreu de desgosto.
A Ópera permanece assombrada por sua lenda, alimentando os rumores em torno da maldição do Fantasma.
Conclusão: Uma história de amor, loucura e redenção
O Fantasma da Ópera é, ao mesmo tempo, uma tragédia amorosa, um mistério e um drama psicológico.
Ele explora as profundezas da solidão humana, da obsessão e da compaixão. Mas este é apenas um resumo, vale mais a pena ler o livro inteiro. A obra O Fantasma da Ópera está facilmente disponível em livrarias ou na internet, em francês, inglês e em inúmeras outras línguas.







