Brigitte Bardot: Uma vida icônica, amores escandalosos e filmes lendários

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Brigitte Bardot: ela abalou normas, desafiou convenções e viveu a vida ao seu modo.

Uma lenda parisiense que redefiniu o glamour e a rebeldia, falecida em 28 de dezembro de 2025.

Poucos nomes encarnam tão bem a essência da elegância parisiense, a revolução cinematográfica e uma rebeldia assumida quanto o de Brigitte Bardot. Nascida no coração de Paris em 28 de setembro de 1934, Bardot não era apenas uma estrela de cinema: era um fenômeno cultural. Seu sorriso sensual, seus cabelos loiros desalinhados e seu charme natural a transformaram na ícone absoluta dos anos 1950 e 1960 na França. Mas por trás do glamour, sua vida foi um turbilhão de relações escandalosas, compromissos audaciosos e um legado que continua a fascinar Paris até hoje.

Ao passear pelas ruas do Saint-Germain-des-Prés ou ao tomar um café nos Deux Magots — um de seus lugares prediletos —, quase se sente a sua presença. Paris não era apenas a sua cidade natal: era o seu palco, o seu refúgio e, por vezes, o seu campo de batalha. Desde a sua ascensão triunfal em *E Deus… criou a mulher* até as suas paixões amorosas turbulentas e, depois, às suas lutas polêmicas pelos direitos dos animais, a história de Bardot entrelaça-se à da cidade.

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Hoje, enquanto Paris celebra suas ícones atemporais, Bardot continua sendo uma figura fascinante. Quer você seja cinéfilo, amante da história ou simplesmente alguém que aprecia um bom escândalo, sua vida é uma masterclass de desafio, paixão e reinvenção. Vamos mergulhar no universo extraordinário de Brigitte Bardot – a mulher que fez Paris (e o mundo) se apaixonar por ela.

Do balé à fama: o nascimento de uma ícone parisiense

O percurso de Brigitte Bardot rumo à glória não foi um mar de rosas. Vinda de uma família burguesa e conservadora do 16º arrondissement de Paris, sua mãe, Anne-Marie « Toty » Bardot, era ex-bailarina, e seu pai, Louis Bardot, engenheiro. Desde muito jovem, Brigitte foi uma alma livre — rebelde, enérgica e pouco inclinada a atender às expectativas convencionais.

Aos sete anos, iniciou sua formação em dança clássica na Ópera Nacional de Paris, sonhando em se tornar bailarina. Durante anos, dedicou-se à dança, apresentando-se em recitais e até posando para revistas de moda para complementar sua mesada. Mas o destino tinha outros planos. Aos 15 anos, foi descoberta por um jovem diretor, Roger Vadim, que mudaria sua vida para sempre.

O encontro que mudou tudo

Em 1952, Bardot não passava de uma adolescente quando conheceu Roger Vadim, um jovem realizador em ascensão, dotado de uma visão única. Ele viu nela algo bruto, indomável e de uma sedução irresistível. Apesar da oposição dos pais (ela ainda era menor de idade), Bardot e Vadim iniciaram uma relação apaixonada e tumultuada. Ele a convenceu a abandonar a dança pelo cinema, e em 1952, ela estreou nas telas com Le Trou Normand.

Mas foi em 1956, com o filme de Vadim E Deus… criou a mulher, que Bardot alcançou a fama internacional. Filmado em Saint-Tropez, a obra causou sensação — não só pelas cenas ousadas (escandalosas para a época), mas também pela atuação audaciosa de Bardot. Ela interpretava Juliette, uma jovem livre e despreocupada que desafiava as normas sociais, tal como Bardot fazia na vida real.

O filme foi um sucesso de bilheteira, e de um dia para o outro, Bardot tornou-se a mulher mais famosa da França. A imprensa a alcunhou de « gata do ano » dos anos 1950, mas ela detestava essa alcunha. Não era apenas um belo rosto; era uma força da natureza, e Paris — a cidade que adorava — era o seu palco.

Paris nos anos 1950: o playground de Bardot

Naquela época, Paris era o coração pulsante da arte, da moda e da rebeldia intelectual. Bardot ocupava um lugar central ali. Frequentava os lendários Les Deux Magots e Café de Flore em Saint-Germain-des-Prés, convivendo com filósofos existencialistas como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.

Seu estilo — cabelos loiros desalinhados, suéteres justos e elegância descontraída — tornou-se referência do *chic* francês. Criadores como Pierre Cardin e Jacques Esterel disputavam para vesti-la, e seu casamento com Vadim em 1952 (com um vestido rosa de Dior) fez a sociedade parisiense falar.

Mas Bardot não era apenas uma ícone da moda; ela encarnava a emancipação. Numa época em que as mulheres deviam manter-se discretas, ela fumava, bebia e dizia o que pensava. Tomava banhos de sol de topless em Saint-Tropez (muito antes de isso se tornar comum), chocando a França conservadora, mas inspirando toda uma geração de mulheres a assumir sua sexualidade.

Amores escandalosos: os homens que moldaram (e destruíram) Brigitte Bardot

A vida amorosa de Brigitte Bardot foi tão agitada quanto seus filmes. Ela se casou quatro vezes, multiplicou os relacionamentos e deixou para trás um rastro de corações partidos — e de capas de revistas — por onde passava. Seus relacionamentos eram passionais, explosivos e muitas vezes expostos sob os holofotes.

1. Roger Vadim: o amor que lançou uma lenda

Brigitte Bardot com Roger Vadim em Saint-Tropez

Bardot tinha apenas 18 anos quando se casou com Roger Vadim em 1952. Ele foi seu mentor, seu amante e o homem que a impulsionou ao estrelato. O relacionamento deles foi intenso, criativo, mas profundamente doentio. Vadim era possessivo, ciumento e, segundo boatos, violento, mas Bardot permaneceu leal a ele, a princípio, sem hesitar.

A sua colaboração em E Deus… criou a mulher transformou-os no casal de destaque do cinema francês, mas nos bastidores, o casamento deles desmoronava-se. Bardot confessou mais tarde que as infidelidades de Vadim (incluindo a com a atriz Anette Stroyberg, com quem ele se casaria depois) a tinham destruído. Divorciaram-se em 1957, mas as suas vidas profissional e pessoal permaneceram ligadas durante anos.

2. Jacques Charrier: o casamento que chocou a França

Em 1959, Bardot deixou a França estupefacta ao casar-se com Jacques Charrier, um belo ator então pouco conhecido. O casamento foi um verdadeiro circo mediático, e o filho deles, Nicolas-Jacques Charrier, nasceu ainda nesse ano. Mas esta união estava condenada desde o início.

Charrier demonstrava claramente ciúmes da fama de Bardot e ressentia-se pela relação sempre próxima dela com Vadim. O golpe final chegou quando Bardot teve um caso com Sami Frey, seu parceiro em A Verdade (1960). O escândalo foi retumbante e a imagem pública de Bardot sofreu com isso. Ela e Charrier divorciaram-se em 1962, e ela perdeu a guarda de Nicolas — uma ferida que a perseguiria durante décadas.

3. Gunter Sachs: o playboy que não conseguiu domá-la

Após o seu divórcio de Charrier, Bardot reergueu-se ao lado de Gunter Sachs, playboy e fotógrafo alemão abastado. Eles se casaram em 1966 numa cerimônia luxuosa em Las Vegas, mas o relacionamento deles era mais marcado pela paixão do que pela estabilidade.

Sachs era obcecado por Bardot, a ponto de escrever um livro sobre a história de amor dos dois. Contudo, ela se cansou de sua influência e da atenção constante da mídia. Eles se divorciaram em 1969, e Bardot qualificaria mais tarde esse casamento como um «erro».

4. Bernard d’Ormale: o amor tranquilo que durou

Em 1992, aos 57 anos, Bardot surpreendeu a todos ao se casar com Bernard d’Ormale, militante político de extrema-direita e ex-assessor de Jean-Marie Le Pen. Diferentemente dos seus maridos anteriores, d’Ormale não era uma celebridade, e o relacionamento deles se desenrolava longe dos holofotes.

Esse casamento durou até o afastamento de Bardot da vida pública. Embora controverso (as opiniões políticas de d’Ormale muitas vezes conflitavam com o ativismo dela em defesa dos direitos dos animais), foi o relacionamento mais longo e estável de sua vida.

Os casos amorosos que fizeram a manchete

A vida amorosa de Bardot não se limitou aos seus maridos. Ela teve ligações muito midiáticas com alguns dos homens mais famosos de sua época, incluindo:

  • Jean-Louis Trintignant (seu partner em E Deus… criou a mulher)
  • Sami Frey (o affair que precipitou o fim do seu casamento com Charrier)
  • Mick Jagger (uma breve mas explosiva aventura nos anos 1960)
  • Serge Gainsbourg (um relacionamento apaixonado, ora intenso, ora tumultuado)

O romance com Gainsbourg foi particularmente lendário. Eles gravaram o dueto provocador Bonnie and Clyde em 1968, e a química entre eles era eletrizante. Mas, como a maioria dos amores de Bardot, brilhou intensamente antes de se apagar rapidamente.

Filmes lendários: como Brigitte Bardot redefiniu o cinema francês

Brigitte Bardot não apenas atuou em filmes – ela os reinventou. Seus papéis eram audaciosos, sensuais e muitas vezes controversos, desafiando tabus e redefinindo a representação da mulher na tela. Estes são os filmes que forjaram o seu estatuto de ícone do cinema.

1. E Deus… criou a mulher (1956) – O filme que a lançou ao estrelato

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Realizador: Roger Vadim

Este filme transformou Bardot numa sensação internacional. Interpretando Juliette, uma jovem livre e descomprometida em Saint-Tropez, ela encarnava uma sensualidade e uma rebeldia sem igual. A cena mítica em que dança descalça com um vestido de noiva tornou-se cult.

Sabia que? O filme foi tão escandaloso que foi proibido em vários países, incluindo Espanha e Irlanda. Nos Estados Unidos, estreou com cortes pesados, o que só aumentou o seu sucesso.

2. Os Amantes (1958) – O filme que chocou o mundo inteiro

Realizador: Louis Malle

Bardot encarna Jeanne Tourneur, uma mulher casada em busca de evasão que se abandona a uma paixão com um homem mais jovem. As cenas de amor, explícitas para a época, provocaram um escândalo mundial. Nos Estados Unidos, o filme foi considerado “obsceno” e proibido em vários estados. A Suprema Corte anulou mais tarde essa decisão, transformando-o em um caso emblemático da liberdade de expressão.

3. A Verdade (1960) – O papel que comprovou seu talento como atriz

Realizador: Henri-Georges Clouzot

Neste thriller judicial dramático, Bardot empresta seus traços a Dominique Marceau, uma jovem julgada por assassinato. Sua atuação, ao mesmo tempo intensa e comovente, demonstrou que ela era muito mais do que um simples símbolo sexual. Ela conquistou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza – seu primeiro grande reconhecimento como atriz.

4. O Desprezo (1963) – Uma obra-prima do cinema

Realizador: Jean-Luc Godard

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Hoje, este filme é considerado uma das maiores obras do cinema da Nouvelle Vague francesa. Bardot interpretava Camille Javal, esposa de um roteirista (Michel Piccoli) envolvido em uma teia de traições. A cena de abertura do filme — uma conversa de 30 minutos entre Bardot e Piccoli em seu apartamento — é uma das mais analisadas da história do cinema.

Sabia que o famoso biquíni vermelho de Bardot neste filme é uma das roupas mais icônicas do cinema?

5. Viva Maria! (1965) – O papel mais alegre de Bardot

Realizador: Louis Malle

Ao lado de Jeanne Moreau, Bardot interpretava Maria, uma cantora e revolucionária no México do início do século XX. O filme misturava comédia, aventura e sátira política, e a cumplicidade entre Bardot e Moreau era eletrizante.

6. Shalako (1968) – Sua incursão em Hollywood

Realizador: Edward Dmytryk

Shalako foi o único grande filme de Hollywood de Bardot, um western em que ela dividia a tela com Sean Connery. Embora não tenha sido um sucesso de crítica, o filme confirmou seu apelo internacional. Mais tarde, ela declararia ter detestado a experiência, chamando Hollywood de “plástica e falsa”.

Por que seus filmes ainda importam hoje

Os filmes de Bardot não eram apenas entretenimento: eram declarações culturais. Ela desafiou a censura, redefiniu a sexualidade feminina e contribuiu para moldar o movimento da Nouvelle Vague. Hoje, seus filmes são estudados em escolas de cinema, e sua influência pode ser vista em atrizes modernas como Marion Cotillard e Léa Seydoux.

Se você estiver em Paris, ainda pode sentir seu legado cinematográfico:

  • Marque encontro no Estúdio 28 em Montmartre, onde alguns de seus filmes foram exibidos.
  • Passeie ao longo da rua de Rivoli, perto do antigo cinema Gaumont Palace, onde suas estreias atraíam multidões enormes.
  • Faça uma pausa no Procope, o café mais antigo de Paris, onde ela e outras estrelas da Nouvelle Vague costumavam se encontrar.

Paris de Brigitte Bardot: onde seguir seus passos

Paris foi o cenário de Bardot, e seus lugares favoritos ainda vibram com o seu espírito. Se você quiser descobrir a cidade pelos olhos dela, aqui estão os lugares para ir.

1. Saint-Germain-des-Prés: O coração do Paris de Bardot

Foi neste bairro que Bardot viveu nos anos 1950 e 1960. Ela morava perto da praça Saint-Germain-des-Prés e passava seus dias nos seguintes estabelecimentos:

  • Les Deux Magots – Onde ela tomava seu café na companhia de Sartre e Beauvoir.
  • Café de Flore – Outro refúgio dos existencialistas.
  • La Palette – Um pequeno bar artístico onde ela festejava até altas horas da madrugada.
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2. Montmartre: a escapada boêmia

Bardot adorava o ambiente artístico e livre de Montmartre. Frequentava com frequência os seguintes locais:

  • O Consulado – Um café histórico onde jantava com artistas.
  • Praça du Tertre – Posava para pintores de rua.
  • Moulin Rouge – Embora não fosse regularmente, participou de algumas festas lendárias.

3. Saint-Tropez: seu paraíso de verão

Embora não seja em Paris, Saint-Tropez era a segunda casa de Bardot. Ela popularizou esta cidade nos anos 1950, transformando-a de uma pacata aldeia de pescadores em um destino cobiçado pela alta sociedade. Os lugares imperdíveis:

  • Hôtel Byblos – Onde ela festejava com celebridades.
  • Praia de Pampelonne – A praia onde ela bronzeava-se de topless.
  • A Voile Rouge – Um clube de praia que frequentava assiduamente.

4. A Margem Esquerda: os lugares da intelectualidade

Bardot era frequentadora assídua dos círculos intelectuais parisienses. Para visitar:

  • Shakespeare and Company – A famosa livraria onde ela folheava livros.
  • Le Select – Um café de Montparnasse onde ela encontrava escritores.
  • La Coupole – Uma brasserie onde jantava com artistas e cineastas.

5. Suas antigas residências

Se você é um verdadeiro fã, pode ver onde ela viveu:

  • 2 Rue du Pré-aux-Clercs (7º arrondissement) – Sua residência nos anos 1960.
  • 44 Rue de la Pompe (16º arrondissement) – Onde ela cresceu.
  • La Madrague (Saint-Tropez) – Sua famosa villa à beira-mar.

Do status de símbolo sexual ao de ativista: o segundo ato controverso de Brigitte Bardot

Em 1973, no auge de sua fama, Brigitte Bardot fez o que ninguém esperava: aposentou-se do cinema. Ela tinha apenas 39 anos, mas já estava cansada da indústria, da mídia e da atenção constante que recebia. Buscava um novo propósito – e o encontrou na defesa dos animais.

O nascimento de uma ativista

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O amor de Bardot pelos animais remonta à sua infância. Ela ficava horrorizada com o tratamento dado aos animais nos circos, fazendas de peles e matadouros. Em 1977, fundou a Fundação Brigitte Bardot para o Bem-Estar e a Proteção dos Animais, que se tornou uma das organizações de defesa dos direitos dos animais mais influentes da França.

Seu ativismo era tão apaixonado quanto seus papéis no cinema. Ela:

  • Militou contra a caça às focas no Canadá.
  • Opositou-se à touradas na Espanha e na França.
  • Protestou contra o uso de animais em circos.
  • Defendeu o vegetarianismo muito antes de este modo de alimentação se tornar comum.

Polêmicas e confrontos

O ativismo de Bardot não esteve isento de controvérsias. Suas posições firmes muitas vezes lhe renderam problemas:

  • Foi condenada várias vezes por “incitação ao ódio racial” devido às suas declarações sobre imigração e islamismo.
  • Enfrentou políticos franceses, incluindo Nicolas Sarkozy, em questões relacionadas ao bem-estar animal.
  • Foi acusada de hipocrisia por ter usado peles no passado (mais tarde, pediu desculpas e queimou seus casacos de pele em um ato público espetacular).

Apesar das críticas, permaneceu intransigente. Como ela mesma dizia: « Prefiro ser odiada por aquilo que sou do que ser amada por aquilo que não sou. »

Seu legado em Paris hoje

Embora Bardot viva atualmente reclusa em Saint-Tropez, sua influência em Paris continua perceptível:

  • A Fundação Brigitte Bardot continua sua atuação, com escritórios em Paris.
  • As manifestações pelos direitos dos animais frequentemente invocam seu nome.
  • Os movimentos veganos e de não crueldade com os animais na França a citam como uma pioneira.

Em 2023, uma petição circulou para dar seu nome a uma rua parisiense, mas gerou oposições devido às suas declarações controversas. Quer a amemos ou a detestemos, o impacto de Bardot em Paris – e no mundo – é inegável.

Brigitte Bardot na cultura popular: como ela ainda inspira hoje

Décadas após sua aposentadoria, Brigitte Bardot permanece uma ícone da cultura popular. Sua influência se faz sentir na moda, na música e até no feminismo moderno.

Moda: a gola Bardot e o estilo casual chic

O estilo de Bardot era simples, mas revolucionário. Ela popularizou:

  • A gola Bardot (decotes profundos).
  • Os cabelos despenteados e desordenados (a original "bedhead").
  • A elegância descalça (ela frequentemente saía sem sapatos em público).
  • O biquíni (ela o tornou aceitável na França conservadora dos anos 1950).

Criadores como Chanel, Dior e Saint Laurent já citaram seu nome como fonte de inspiração. Hoje, sua influência pode ser vista em marcas como Rouje (fundada por Jeanne Damas) e Sézane, que personificam essa mesma descontração parisiense.

Música: A musa do rock e da pop

Seu charme inspirou inúmeras canções, entre elas:

  • « Bonnie and Clyde » de Serge Gainsbourg (seu dueto).
  • « Sympathy for the Devil » dos Rolling Stones (Mick Jagger a escreveu após uma noite passada com ela).
  • « Just Like a Woman » de Bob Dylan (do qual se murmura que ela seria a inspiração).
  • « The Jean Genie » de David Bowie (inspirado por seu espírito rebelde).

Cinema & Televisão: O efeito Bardot

Atrizes como Sharon Stone, Monica Bellucci e Blake Lively já foram comparadas a Bardot. Até mesmo séries modernas como Emily in Paris (com seus personagens de mulheres fatais francesas) lhe devem parte de seu legado.

Em 2021, um **biopic sobre Bardot** foi anunciado, com **Julia Roberts** inicialmente cotada para interpretá-la (o projeto está desde então parado). Os fãs ainda aguardam um filme definitivo sobre sua vida.

Paris hoje: onde ver sua influência

Para vivenciar o legado de Bardot em Paris hoje:

  • Visite o Musée de la Mode para descobrir exposições sobre seu estilo.
  • Passe pela Cinémathèque Française para assistir a exibições de seus filmes.
  • Folheie as prateleiras da Merci ou da L’Éclaireur em busca de peças de moda inspiradas em Bardot.
  • Tome um coquetel no Bar Hemingway do Ritz — ela frequentava o local em sua época.

Brigitte Bardot aos 90 anos: o que o futuro reserva para a lenda?

Em 2024, Brigitte Bardot completa mais de 90 anos e leva uma vida discreta em Saint-Tropez com o marido, Bernard d’Ormale. Ela raramente concede entrevistas e foge dos holofotes, mas seu legado continua mais vivo do que nunca. O que o futuro lhe reserva?

Notícias e rumores recentes

  • Em 2023, ela foi manchete ao criticar os Jogos Olímpicos de Paris, classificando-os como « desperdício de dinheiro » e expressando preocupação com os animais deslocados pelas obras.
  • Rumores mencionam o lançamento de um novo documentário sobre sua vida, mas nada foi confirmado até agora.
  • Sua fundação continua em evidência, recentemente denunciando o uso de animais selvagens em circos franceses.

Ela vai voltar a Paris?

Bardot declarou que nunca mais poria os pés em Paris, mas a cidade não a esqueceu. Em 2024, o ministério da Cultura anunciou a restauração de alguns de seus filmes para uma retrospectiva. E a cada verão, Saint-Tropez ainda celebra sua memória com as « Jornadas Bardot », que reúnem exibições, exposições e festas em sua homenagem.

Suas últimas palavras sobre a fama

Em uma de suas últimas entrevistas, Bardot declarou: « Nasci para ser livre, não para ser famosa. A fama é uma prisão. Eu escapei dela e não me arrependo nem por um segundo. »

No entanto, essa fuga apenas reforçou sua lenda. Paris – seu primeiro amor – sempre se lembrará dela como aquela jovem que dançava descalça, amava sem limites e desafiava as regras.

Como viver o legado parisiense de Brigitte Bardot hoje

Se você visitar Paris e quiser seguir os passos de Bardot, aqui está um roteiro de um dia inspirado em sua vida.

Manhã: Saint-Germain-des-Prés

  • Comece pelo Café de Flore (172 Bd Saint-Germain) com um café e um croissant – o café da manhã preferido de Bardot.
  • Vá até os Deux Magots (6 Pl. Saint-Germain des Prés) e imagine-a em plena conversa com Sartre.
  • Folheie as prateleiras da Shakespeare and Company (37 Rue de la Bûcherie), onde ela comprava seus livros.

Tarde: Montmartre & Cinema

  • Dirija-se até Montmartre e almoce no Consulat (18 Rue Norvins).
  • Continue até o Studio 28 (10 Rue Tholoze), um cinema histórico onde seus filmes eram exibidos.
  • Faça um desvio pela Place du Tertre para ver onde ela posava para os artistas.

Noite: Glamour da Margem Esquerda

  • Jante no La Coupole (102 Bd du Montparnasse), um de seus restaurantes favoritos nos anos 1960.
  • Termine a noite com um coquetel no Bar Hemingway (Ritz Paris, 15 Pl. Vendôme), onde ela bebia na companhia do próprio Hemingway.

Bônus: Excursão a Saint-Tropez

Se você tiver tempo, pegue o trem para Saint-Tropez (cerca de 3 horas desde Paris) para descobrir:

  • La Madrague (sua antiga residência).
  • Praia de Pampelonne (onde ela tomava sol).
  • Hotel Byblos (onde ela festejava).
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Em conclusão: Por que Brigitte Bardot ainda importa

Brigitte Bardot não foi apenas uma estrela de cinema – ela foi uma revolução. Desafiou normas, rompeu convenções e viveu segundo suas próprias regras. Paris foi sua tela, e nela ela traçou seu caminho com escândalo, paixão e uma liberdade sem desculpas.

Hoje, enquanto a cidade evolui, o seu legado perdura. Seja através dos filmes que continuam a chocar e a inspirar, das tendências de moda que lançou ou das causas em defesa dos direitos dos animais que abraçou, o espírito Bardot ainda anima Paris.

Por isso, na próxima vez que percorrer Saint-Germain, tomar um café no Deux Magots ou assistir a *E Deus… criou a mulher* numa tarde chuvosa, lembre-se: está a caminhar no universo de Brigitte Bardot — uma mulher que não só viveu em Paris, como a definiu.

E se tiver sorte, talvez sinta um pouco da sua magia rebelde tocar-lhe. Afinal, como ela própria disse:
« A vida é um sonho. Faça dela um belo sonho. »

Perguntas frequentes

Como Brigitte Bardot passou da dança para o cinema?

Nascida em 28 de setembro de 1934 numa família burguesa do 16º arrondissement, começou o balé clássico na Opéra National de Paris aos sete anos, sonhando em ser bailarina. Tudo mudou aos 15 anos, quando foi notada pelo jovem diretor Roger Vadim, que a convenceu a abandonar a dança. Estreou no cinema em 1952, em Le Trou Normand.

Qual filme transformou Bardot numa estrela internacional?

Foi E Deus Criou a Mulher, dirigido por Roger Vadim em 1956 e rodado em Saint-Tropez, que a tornou um fenômeno mundial. Ela interpretava Juliette, uma jovem livre e rebelde. O filme causou escândalo, foi proibido em vários países, como Espanha e Irlanda, e chegou aos Estados Unidos com cortes pesados, o que só ampliou seu sucesso.

Quais foram os relacionamentos mais famosos de Bardot?

Casada quatro vezes, teve relações muito comentadas com Jean-Louis Trintignant (seu par em E Deus Criou a Mulher), Sami Frey, Mick Jagger e Serge Gainsbourg. O romance com Gainsbourg ficou especialmente lendário: em 1968 gravaram o provocante dueto Bonnie and Clyde. Também se diz que ela inspirou canções dos Rolling Stones e de Bob Dylan.

Por que Bardot abandonou o cinema?

Em 1973, no auge da fama e com apenas 39 anos, aposentou-se, cansada da indústria e da atenção constante. A partir de então dedicou-se à defesa dos animais e fundou, em 1977, a Fondation Brigitte Bardot. Seu ativismo, tão apaixonado quanto polêmico, a colocou contra a caça às focas e as touradas e lhe rendeu várias condenações por declarações.