O Roubo do tesouro real da Coroa francesa durante a Revolução Francesa é um dos mais audaciosos e lendários assaltos da história da França. Em setembro de 1792, no caos revolucionário, um grupo de ladrões consegue roubar uma parte significativa das joias da Coroa real, incluindo alguns dos diamantes e pedras preciosas mais famosos da Europa. Aqui está o relato detalhado desse evento extraordinário.
Nota
Este artigo reconstitui um episódio entre outros da história das joias da Coroa da França. De fato, sua trajetória tumultuada e fascinante reflete os altos e baixos da monarquia francesa. Para uma visão histórica completa, clique em As joias da Coroa da França, uma história conturbada
O contexto que levou ao Roubo do tesouro real ou joias da Coroa
Em 1792, a Revolução Francesa atinge o seu auge. A monarquia está enfraquecida, e o rei Luís XVI, bem como a rainha Maria Antonieta, haviam sido presos após sua tentativa de fuga no ano anterior. Um forte sentimento antirrealista permeia Paris, e o fervor revolucionário não para de crescer. No verão de 1792, a monarquia é oficialmente abolida, e os bens reais, incluindo as famosas joias da Coroa, tornam-se propriedade do Estado.
Na época, as joias da Coroa francesa eram guardadas no Garde-Meuble da Coroa (Depósito dos móveis da Coroa), um edifício imponente localizado na praça da Concórdia (então chamada praça Luís XV e depois praça da Revolução) em Paris. Hoje integrado ao Hôtel de la Marine, este edifício servia como local de armazenamento dos tesouros da monarquia: móveis, tapeçarias, obras de arte e a famosa coleção de joias, acumulada ao longo dos séculos pelos reis e rainhas da França desde Francisco I (1494 – 1547).
O sr. Roland, ministro do Interior, e o sr. Restout, responsável pela segurança do Garde-Meuble da Coroa, na praça da Revolução, já haviam soado o alarme! Consideravam a segurança do local e de seus tesouros insuficiente. Nos salões de honra, além dos móveis das coleções reais, as joias da Coroa estavam expostas.
O tesouro contava com mais de 10 mil pedras: diamantes, pérolas, rubis, esmeraldas, topázios e safiras. Muitas peças insubstituíveis compunham esse tesouro nacional, acumulado desde o século XVI pelos reis da França, como o “Grande Safira” de Luís XIV ou o diamante “Sancy”.
De acordo com o inventário realizado em 1791 pela Assembleia Nacional Constituinte, a contagem exata registrava 9 547 diamantes, 506 pérolas, 230 rubis e espinélios, 71 topázios, 150 esmeraldas, 35 safiras e 19 pedras diversas. O valor das joias era estimado em 23 922 197 libras, dos quais 12 milhões para o « Régent », 3 milhões para o « Azul da França » e 1 milhão para o « Sancy ».
Um assalto rocambolesco jamais esclarecido
Uma quadrilha de ladrões liderada por um certo Paul Miette invadiu a sala das joias para roubá-las.

Aproveitando-se da escuridão, os ladrões escalaram a fachada do Garde-Meuble com o auxílio de cordas, apoiando-se nos lampiões da praça da Revolução. Chegados à sacada do primeiro andar, escaparam ao olhar dos transeuntes e puderam quebrar um vidro. Em seguida, cortaram um buraco, ainda visível hoje, na veneziana interior da sala onde estavam guardadas as preciosas joias.
Os investigadores constataram inúmeras incoerências no local. As fechaduras dos armários que continham os diamantes não haviam sido arrombadas. E como acreditar seriamente que quarenta malfeitores pudessem ter levado tantos bens preciosos, sem chamar a atenção dos guardas do Garde-Meuble, durante quatro noites consecutivas? O fato ocorreu entre 11 e 16 de setembro de 1792, apesar da presença de guardas nacionais (sua guarita ficava do lado oposto do pátio, de frente para a sala das joias!), que não faziam mais rondas depois de os selos terem sido colocados no prédio.
Por fim, em 16 de setembro, às 23 horas, uma patrulha de guardas alertada por barulhos suspeitos avistou um grupo de ladrões. Após revistarem seus bolsos cheios de pedras preciosas, foram presos. Pouco depois, o ministro do Interior Roland, encarregado da investigação, condenou à morte os ladrões flagrados em delito, como contrarrevolucionários. Liderados por um temível criminoso, Paul Miette, tratava-se, em essência, de pequenos ladrões libertados durante os massacres de 2 a 6 de setembro. Eles estavam associados à quadrilha de Rouen, de ladrões profissionais. Doze foram condenados à morte e cinco acabaram guilhotinados no próprio local do crime, na place de la Révolution.
Quem ordenou o roubo do tesouro real da Coroa da França?
As suspeitas abundam quanto à identidade dos verdadeiros instigadores do Roubo do tesouro real e das joias da Coroa. Teriam eles cúmplices dentro do edifício? Danton teria oferecido as joias ao duque de Brunswick para comprar a vitória dos exércitos franceses em Valmy a 20 de setembro de 1792? Ou esta história incrível não passaria de fruto da insegurança generalizada que reinava em Paris em setembro de 1792?
A invasão prussiana, um clima de pânico revolucionário consequente ao aprisionamento da família real, o avanço austro-prussiano e os rumores de conspirações internas, bem como o receio de repressão e massacres perpetrados por realistas, ou seus eventuais aliados, em caso de libertação. Os « setembristas » invadiram as prisões de Paris e das províncias e ali mataram um grande número de detidos, fossem eles eclesiásticos, realistas ou de direito comum. Este episódio pouco conhecido da Revolução Francesa fez provavelmente mais de 1 300 mortos em Paris e 150 no resto da França, entre os dias 2 e 6 ou 7 de setembro.
Mas um fato se destaca: Thierry de Ville d’Avray, último intendente do Garde-Meuble, foi morto durante esses massacres. Na realidade, outro evento ocorreu no início de agosto, o que poderia indicar que as joias mais preciosas do tesouro da monarquia francesa não teriam sido roubadas em setembro de 1792, mas já em agosto.
Um episódio perturbador nos domingo 5 e segunda-feira 6 de agosto de 1792
Soube-se que «no domingo (5 de agosto) e na segunda-feira (6 de agosto), que antecederam a sexta-feira 10 de agosto de 1792, dia que marcou o fim da monarquia, seis malas deixaram discretamente o Garde-Meuble (nacional). Elas pertenciam ao genro do governador do Garde-Meuble, Thierry de Ville-d’Avray. Seu nome era Baude de Pont-l’Abbé, e as malas foram enviadas por Azèle, seu homem de confiança, a Prévost d’Arlincourt, ex-fermier geral (hotel parisiense, rue Saint-Honoré, n° 342). Esse ex-fermier geral, como a maioria de seus antigos colegas, havia transferido fundos para território inimigo.»
Marc-Antoine Thierry de Ville-d’Avray foi morto na prisão da Abadia, em Paris, em 2 de setembro de 1792. Jean-Georges-Claude Baude de Pont-l’Abbé emigrou, e Louis-Adrien Prévost d’Arlincourt foi guilhotinado em Paris em 8 de maio de 1794. Todos os protagonistas haviam assim desaparecido do cenário no momento certo. A tese Danton-duc de Brunswick ganha então todo o sentido? Ou essa operação de agosto não teria sido apenas uma evacuação para o exterior das joias da Coroa? E o roubo tornado “oficial” não passaria de um meio de desviar a atenção?
Como ocorreu o Roubo do tesouro real da Coroa de França
Na noite de 11 para 16 de setembro de 1792, um grupo de ladrões pôs em prática um plano minucioso para invadir o Garde-Meuble. Aproveitando-se da instabilidade revolucionária, organizaram o saque ao longo de várias noites:
Primeira intrusão: Os ladrões adentraram o local já em 11 de setembro, conseguindo subtrair várias peças sem serem notados. Não levaram de uma só vez toda a coleção, o que poderia ter levantado suspeitas.
Retornos repetidos: Nas noites seguintes, os malfeitores voltaram várias vezes para levar outras joias e pedras preciosas. A sua tática foi surpreendentemente eficaz: ao espalhar os furtos, evitaram ser descobertos demasiado cedo e puderam assim levar muito mais do que se tivessem tentado um único grande golpe. Chegaram mesmo a organizar festas com prostitutas.
Descoberta: O roubo acabou por ser descoberto e a dimensão do saque revelou-se então em toda a sua horrorosa magnitude. Uma parte significativa das joias da Coroa de França tinha sido roubada, incluindo o famoso diamante Sancy, o Régent e o Diamante Azul da Coroa (um grande diamante azul que alguns estimam ter sido retrabalhado para se tornar no diamante Hope, hoje conservado no Smithsonian Institute de Washington desde 1958). A lista das peças perdidas incluía diamantes, pérolas, safiras, esmeraldas e rubis, alguns de valor inestimável devido ao seu vínculo com soberanos do passado.
Inquérito e consequências após o roubo das joias da Coroa

Diamante Sancy

O diamante Le Régent
Os diamantes Sancy e Le Régent
O roubo desencadeou uma grande investigação, mas os distúrbios políticos e sociais da Revolução tornaram difícil rastrear os ladrões. Vários suspeitos foram finalmente presos, e oito deles foram considerados culpados de "conspiração para despojar a República" e condenados à morte na guilhotina. Algumas joias foram recuperadas dois anos depois. Mas muitas peças desapareceram para sempre. Eis o que aconteceu com algumas das pedras mais famosas:
O diamante Le Régent: Considerado um dos diamantes mais valiosos da coleção, acabou sendo recuperado. Napoleão o mandou engastar na empunhadura de sua espada, e hoje está exposto no museu do Louvre.
O diamante Sancy (pertencente à coleção Mazarin): Este diamante, com múltiplas peripécias históricas, também foi recuperado. O diamante Sancy foi descoberto na Rússia, na coleção de Vassili Roudanovski. Atualmente, faz parte das coleções do Louvre.
O diamante azul da Coroa: O diamante azul real francês desapareceu sem nunca ter sido recuperado como tal. Décadas depois, um grande diamante azul apareceu em Londres, antes de ser levado aos Estados Unidos. Conhecido como diamante Hope, alguns acreditam que se trata de uma versão retrabalhada do diamante azul da Coroa. No entanto, essa teoria permanece não confirmada.
O conjunto das joias da Coroa francesa: Após a recuperação de algumas peças, as joias restantes foram utilizadas pelos diferentes soberanos franceses, incluindo Napoleão e as monarquias restauradas dos Bourbons e dos Orléans. Contudo, em 1887, a Terceira República Francesa decidiu leiloar as joias da Coroa (com exceção de algumas peças preservadas como objetos históricos). Essa venda dispersou as joias pelo mundo, levando à sua aquisição por diversos colecionadores e museus.
Ho valor de centenas de milhões de dólares.
Quem eram os ladrões responsáveis pelo Roubo do Tesouro Real?
As identidades de todos os ladrões continuam incertas, embora se acredite que o assalto tenha envolvido uma mistura de criminosos e possivelmente pessoas com acesso ao Garde-Meuble. A instabilidade da Revolução facilitou esse ousado roubo, já que as forças de ordem estavam sobrecarregadas e a hostilidade em relação à monarquia limitava qualquer simpatia pública pela perda dos bens reais. Alguns ladrões foram presos, mas é provável que muitos cúmplices tenham escapado impunes.
Legado do roubo das joias da Coroa
O Roubo do Tesouro Real foi um dos muitos golpes simbólicos desferidos contra a monarquia francesa durante a Revolução.
Essas joias, outrora símbolos de poder absoluto e de continuidade dinástica, foram dispersas pelo mundo, refletindo o objetivo revolucionário de desmantelar o Antigo Regime e redistribuir suas riquezas. Esse roubo permanece um tema popular da história da França, e grande parte das peças recuperadas estão hoje expostas no Museu do Louvre, onde continuam a atrair a atenção por sua beleza e história agitada.
Hoje, as joias da Coroa da França não formam mais uma coleção tão coerente quanto antigamente, mas continuam a fascinar devido à sua importância histórica, ao saber-fazer artesanal e ao mistério que envolve as peças definitivamente perdidas no roubo de 1792.
Quantas e quais joias jamais foram recuperadas pela França após seu roubo em 1792?
Após o famoso Roubo do tesouro real da Coroa francesa em 1792, várias peças foram definitivamente perdidas ou apenas parcialmente recuperadas. Embora muitas tenham sido devolvidas, algumas das mais notáveis desapareceram sem deixar rastro. As joias foram dispersas, vendidas ou recortadas após o roubo de 1792. Apesar dos esforços para recuperá-las, peças entre as mais valiosas, como o Azul da França, foram irremediavelmente perdidas, e muitas nunca foram devolvidas à França. Aqui está um resumo das joias desaparecidas e de sua importância:
1. O Diamante Azul da Coroa (Azul da França)

Descrição: Este grande diamante azul de cerca de 69 quilates era uma das pedras mais famosas das joias da Coroa francesa. Ele foi trazido para a França por Jean-Baptiste Tavernier e, em seguida, lapidado em forma triangular pelo ourives do rei Luís XIV, recebendo o nome de “Azul da França”.
Destino: O Bleu de France nunca mais foi recuperado após o roubo de 1792. Acredita-se geralmente que foi recortado em um diamante menor de 45,52 quilates, hoje conhecido como Diamante Hope. Embora isso ainda seja uma hipótese, a semelhança de tamanho, formato e cor entre as duas pedras levou muitos especialistas a considerá-las o mesmo tesouro.
2. O Espelho de Portugal (pertencente à coleção Mazarin)
Descrição: Um grande diamante incolor, apelidado de « Espelho de Portugal », era usado pelas rainhas e outras mulheres da família real francesa. Com uma clareza e brilho excepcionais, era altamente valorizado.
Destino: Esse diamante nunca foi recuperado após o roubo, e seu paradeiro atual permanece desconhecido. Alguns historiadores sugerem que poderia ter sido vendido ou recortado, mas nenhuma prova verificável esclareceu seu destino.
3. Os diamantes Mazarin
Descrição: Nomeados em homenagem ao cardeal Mazarin, tratava-se de um conjunto de 18 diamantes legados à Coroa francesa no século XVII. Entre eles, os mais famosos eram:
O Mazarin I (ou « Grande Mazarin »): um diamante rosa pálido de 19,07 quilates.
O Mazarin II: um diamante de 25,7 quilates.
Destino: Se o Grande Mazarin foi finalmente recuperado (foi leiloado em 2017 e agora pertence a um colecionador privado), vários outros diamantes Mazarin menores desapareceram após o roubo. Sua identificação precisa é mais difícil devido ao seu tamanho reduzido, mas alguns são considerados definitivamente perdidos.

As 18 pedras da coleção Mazarin – Para mais informações, clique aqui
4. Pérolas, safiras e rubis diversos
Descrição: As joias da Coroa francesa incluíam também uma variedade de pérolas, rubis, safiras e outras pedras preciosas, usadas para adornar coroas, cetros e joias de cerimônia.
Destino: Grande parte dessas pedras menores nunca foi recuperada. Muitas provavelmente foram vendidas ou desmontadas, desaparecendo em coleções privadas. Ao contrário dos grandes diamantes famosos, essas joias de menor valor eram mais fáceis de dispersar e vender sem chamar atenção.
No total, mais de uma dúzia de pedras preciosas de grande importância foram perdidas após o roubo do tesouro real, enquanto centenas de pedras menores e gemas decorativas desapareceram em mãos privadas. Apesar de investigações e buscas minuciosas, o número exato de joias perdidas nunca foi formalmente estabelecido, devido a registros incompletos e ao caos da época.
O diamante Hope traz azar?
O diamante Hope é tristemente famoso pela suposta má sorte que o rodeia. Maria Antonieta, que teria sido uma de suas possíveis proprietárias, foi guilhotinada (na realidade, foi seu esposo, Luís XVI, quem o usava, embora ele também tenha sido executado).
Outros donos e suas famílias sofreram suicídios, divórcios, falências, mortes em acidentes de carro, quedas de penhascos, revoluções, colapsos mentais e overdoses. Ele chegou até a ser indiretamente ligado ao caso do bebê Lindbergh, por meio de sua proprietária na época, a herdeira Evalyn Walsh McLean.
As primeiras menções a essas histórias remontam a 1908. Pierre Cartier, o ourives parisiense, é amplamente creditado por ter popularizado as lendas de maldição sobre o diamante para aumentar seu valor de mercado.
Desde 1958, ele está no Smithsonian Institution em Washington, onde é o objeto mais visitado da coleção.
Os historiadores em busca das joias desaparecidas
As joias desaparecidas, em especial o Azul da França e o Espelho de Portugal, continuam a fascinar historiadores e amantes de gemas em todo o mundo. Trata-se de um mistério ligado ao legado da monarquia francesa e às convulsões da Revolução, que permanece vivo até hoje.
Joias notáveis recuperadas
Após a Revolução, algumas joias foram identificadas e restituídas ao governo francês. As duas principais joias devolvidas à França são:
O diamante Régent: Recuperado após o roubo, trata-se de um dos diamantes mais famosos das Joias da Coroa da França e ainda está exposto no Louvre.
O diamante Sancy (parte da coleção Mazarin): Outra pedra preciosa de grande importância que, por fim, foi recuperada e também se encontra hoje no Louvre.
Qual era o valor das Joias da Coroa antes do seu roubo em 1792?
Antes do seu espetacular roubo em 1792, as Joias da Coroa da França eram avaliadas em uma quantia considerável, embora os valores exatos variem devido às flutuações na avaliação das pedras preciosas, à inflação e aos inventários incompletos.
Uma referência bastante precisa é o preço pedido em 1772 pelos ourives Charles Boehmer e Paul Bassenge pelo famoso “colar da rainha”, que deu origem a um escândalo. Ele atingia a soma de 1.600.000 libras, o equivalente a cerca de 27.513.000 euros hoje. Na época, essa quantia também equivalia a três castelos, cada um cercado por 500 hectares de terras!
Nota: para mais informações, clique em « A história do colar da rainha: tudo o que precisa saber »
Eis outros detalhes importantes sobre o seu valor:
1. Valor total estimado
Em 1791, o valor total das Joias da Coroa da França era estimado em cerca de 30 milhões de libras, uma quantia colossal para a época. Ou seja, cerca de 20 vezes o valor do colar da rainha.
2. Avaliação das joias individuais
As Joias da Coroa incluíam diversos diamantes e pedras preciosas mundialmente famosos, cada um com um valor intrínseco elevado:
O diamante Régent (140,64 quilates), um dos mais valiosos tesouros, era avaliado sozinho em mais de 12 milhões de libras. Hoje, seu valor é inestimável devido à sua importância histórica e está exposto no Louvre.
O Diamante Azul da França (cerca de 69 quilates), avaliado em aproximadamente 3 milhões de libras. Este diamante foi recortado e, posteriormente, tornou-se o famoso Diamante Hope, avaliado hoje em mais de 200 milhões de dólares. Atualmente, está preservado no Smithsonian American Art Museum, em Washington (DC).
O diamante Sancy (55 quilates) também possuía um valor imenso, estimado em vários milhões de libras.
3. Os diamantes Mazarin

Toison d'Or
O conjunto dos 18 diamantes Mazarin, oferecidos à Coroa pelo cardeal Mazarin, valia coletivamente vários milhões de libras. Entre eles estavam peças notáveis como o Grande Mazarin (um diamante rosa pálido de 19,07 quilates), cuja avaliação era alta devido à sua raridade e cor.
4. Outras componentes
Conjuntos de joias, coroas e insígnias reais: Além de pedras preciosas individuais, a coleção incluía conjuntos completos, como os colares de pérolas da Maria Antonieta, coroas cerimoniais e cetros ornamentados com pedras preciosas, que contribuíam grandemente para o valor do conjunto. Outro exemplo é a Ordem do Tosão de Ouro de Luís XV, composta por várias diamantes, incluindo o Diamante Azul da França de 69 quilates na parte inferior, e o diamante azul claro de 33 quilates, outrora chamado « Bazu », na parte superior.
Ourivesaria e esmalte: Muitas peças também apresentavam trabalhos complexos de ourivesaria e esmaltação, além de pérolas, o que elevava tanto o seu valor artístico quanto o financeiro.
5. Importância e valor histórico
Além do seu valor monetário, as Joias da Coroa possuíam uma imensa importância histórica e simbólica, encarnando o poder, a riqueza e o mecenato cultural da monarquia francesa. A sua relevância era reforçada pela associação a figuras como Luís XIV, Luís XV e Maria Antonieta.
Nota
Os colares da Coroa são uma espécie de história dentro da História. Sete anos antes desse roubo de 1792, o casal real (Luís XVI e, sobretudo, Maria Antonieta) havia sido envolvido, contra a vontade, em um caso de colar (Veja "A questão do colar da Rainha") que pesou fortemente no desenrolar dos eventos que levaram à Revolução. No século seguinte (XIX), as Joias da Coroa da França foram enriquecidas com as peças adicionadas por Napoleão I e Napoleão III – Veja nosso artigo As Joias da Coroa da França, uma história conturbada.No final do século XIX, a Terceira República — movida por ódio ao poder real — dispersou grande parte dessas joias, vendendo-as para o deleite de amadores e colecionadores. No século XX, museus como o Louvre e Versalhes readquiriram parte dessas coleções. Em 2025, as joias da Coroa voltaram a ser notícia por ocasião do roubo do Louvre, que resultou no desaparecimento de sete peças inestimáveis, ainda não recuperadas um ano depois.
Para ver as joias da Coroa (ou o que resta delas) expostas hoje em Paris, visite
1/ Museu do Louvre: As joias da Coroa hoje - Clique em Reservar ingresso no Museu do Louvre
2/ ou na Escola de Minas: As joias da Coroa na Escola de Minas de Paris - Clique em Museu de Mineralogia para dias e horários de abertura
3/ ou ainda no Museu Nacional de História Natural: As joias da Coroa do Museu Nacional de História Natural - Galeria de Geologia e Mineralogia - Cliquez sur Réservation au Musée national d'Histoire naturelle





