Vinha de Montmartre, já em Paris há 9 séculos
O Clos-Montmartre, nome oficial do vinhedo de Montmartre, é um vinhedo plantado na colina de Montmartre, no 18º arrondissement de Paris. Estende-se pela encosta norte da colina, ao longo das ruas Saint-Vincent e des Saules.
Proprietário do vinhedo: Ville de Paris
Gestão: Comitê das Festas do 18º arrondissement
Manutenção do vinhedo: Serviços técnicos da Ville de Paris
Produção anual: cerca de 1 000 garrafas numeradas
Um pouco de história sobre o vinhedo de Montmartre e outros
A vinha surgiu na Transcaucásia já no terceiro milênio a.C. Tratava-se de uma videira que podia atingir 10 metros de comprimento, introduzida na Europa pelos etruscos, que teriam plantado a primeira vez na Itália. O vinho era reservado a uma elite na Antiguidade. Os gregos bebiam-no diluído em água e muitas vezes realçavam o sabor com mirra, incenso, anis, pimenta ou canela.
Na Idade Média, o cultivo da vinha tornou-se uma arte nas mãos dos monges, a quem se deve as primeiras variedades nobres de uva, bem como a descoberta de que, quanto mais pobres fossem os solos — compostos de pedras, areia e pedra — mais as raízes se aprofundavam, até 7 metros, para buscar a seiva. Assim, a uva podia amadurecer lentamente, sem apodrecer nem secar.
Origem da vinha em Montmartre
No século XII, vinhas foram plantadas pelas freiras da abadia de Montmartre, fundada por Adelaide de Saboia. No entanto, o empobrecimento da abadia levou as religiosas a vender as parcelas do vinhedo. No século XVI, os habitantes de Montmartre, então fora de Paris (até 1860), eram sobretudo lavradores e viticultores. As vinhas estendiam-se do topo da colina até as planícies vizinhas. Produzia-se então vinho branco e, depois, vinho tinto, conhecido por diferentes nomes: «Le clos Berthaud», «La Goutte d’or», «Le Sacalie», «La Sauvageonne», ou mais tarde, «Le Picolo».
O vinhedo de Montmartre no século XVIII e a abertura dos cabarés
A colina estava então coberta em três quartos por vinhedos, e o vinho, não sujeito ao imposto de entrada por estar fora de Paris, favoreceu a abertura de tavernas e cabarés.
No local do atual vinhedo havia um jardim e uma casa onde viveu o chansonnier e escritor francês Aristide Bruant (1851-1925). Toulouse-Lautrec vinha pintar nesse jardim. Na casa vizinha, era Renoir, no que hoje é o museu de Montmartre. Após 1925, o local tornou-se um terreno baldio.
Mas desde a anexação de Montmartre a Paris em 1860, as casas ganharam terreno em detrimento dos últimos vinhedos. À morte de Aristide Bruant, a cidade de Paris comprou o local. Em 1930, previa-se a construção de edifícios ali. Sem contar com a mobilização dos moradores do bairro, que se opunham a essas construções. O prefeito da época os ouviu e declarou o terreno como não edificável.
A renascença do vinhedo de Montmartre
A completa extinção das vinhas em Montmartre ocorreu em 1928. Elas foram replantadas cinco anos depois com 2.000 pés de Gamay e Pinot Noir. Encontram-se no 18º arrondissement de Paris, no cruzamento da rue des Saules com a rue Saint-Vincent, ou seja, ao norte da Butte. Um local, no mínimo, inusitado para um vinhedo! Os 2.000 m² (0,15 ha ou 1.500 m²) do Clos-Montmartre ocupam o espaço do antigo Square de la Liberté, criado em 1929 pelo artista Francisque Poulbot, fundador da República de Montmartre. De um lado e outro, encontram-se dois famosos prédios montmartrenses: o cabaré Au Lapin Agile e o museu de Montmartre.
A 1ª vindima em Montmartre, sem uvas!
O primeiro festival da vindima, em 1934, realizou-se no segundo fim de semana de outubro. Teve como padrinhos Mistinguett e Fernandel, e contou com a presença do presidente da República, Albert Lebrun. Mas ainda não havia uvas, pois o vinhedo só tinha dois anos. Comprou-se, então, cachos nos Halles e penduraram-se com fios para que os padrinhos pudessem cortá-los.
Hoje, segundo Gilles Guillet, Grão-Mestre da Confraria do Clos-Montmartre, ainda restam várias centenas de cepas originais. As plantas são gradualmente substituídas por uma seleção de híbridos vigorosos e férteis. Atualmente, contam-se 30 castas diferentes; 70% dessas variedades são antigas. O vinho era há muito considerado um vinho de baixa qualidade, mas já não é o caso, pois tudo é feito para produzir um vinho de qualidade. Desde 2016, um enólogo e um viticultor cuidam deste vinhedo.
O festival da vindima em Montmartre
Todos os anos, em outubro, realiza-se em Montmartre um Festival da Vindima de Montmartre, com um desfile folclórico que reúne as associações montmartrenses e as confrarias vitivinícolas das províncias convidadas.
A colheita anual produz de 1.800 a 2.000 kg de uvas, o que permite fabricar um pouco mais de 1.000 garrafas. Estas são vendidas, juntamente com os produtos derivados, no local durante o festival da vindima, no museu de Montmartre ou pela Internet, no site do Comité des fêtes de Montmartre. A receita das vendas destina-se a ações sociais em prol das crianças e dos idosos do 18º arrondissement.