Rua calçada do Marais, com seus hotéis particulares de outrora
A Rua Pavée, no Marais, é uma via localizada no coração do bairro, no 4.º arrondissement de Paris. Ela liga a Rue de Rivoli à Rue des Francs-Bourgeois, da qual é o prolongamento pela Rue Payenne.
Origem do nome
Em 1235, a parte compreendida entre a Rue du Roi-de-Sicile e a Rue des Francs-Bourgeois já existia e era chamada de « Rue du Petit-Marivaux ».
Rebatizada em 1406 como « Rue du Petit-Marais », depois « Rue Marivaux », sua denominação foi substituída por volta de 1450 por « Rue Pavée-au-Marais », e mais tarde simplesmente « Rue Pavée ». No final do século XX, ainda se podia ler, do lado par, « Rue Pavée au Marais ».
Outras « ruas pavimentadas » parisienses receberam essa denominação: na margem esquerda, por exemplo, uma « Rue Pavée » já existia desde 1300, antes de se tornar « Rue Pavée-Saint-André-des-Arts ».
Edifícios notáveis e locais de memória da Rua Pavée no Marais
A Rua Pavée, no Marais, era uma artéria elegante ladeada por hotéis particulares (Hôtel de Brienne, Hôtel de Savoisy), dos quais apenas resta o Hôtel d’Angoulême, situado no nº 24 e atualmente ocupado pela Biblioteca Histórica da Cidade de Paris.
No nº 10 ergue-se uma sinagoga, construída em 1913 pelo arquiteto parisiense mestre do Art Nouveau, Hector Guimard (célebre por suas entradas de metrô). Em 1941, o prédio foi dinamitado por colaboradores antissemitas da Ocupação nazista. Restaurado posteriormente, este local de culto ortodoxo não consistorial não é aberto ao público.
Nos nº 11 e 13 ergue-se um belo hotel particular (porta de estilo Luís XIII no nº 11 e de estilo Luís XV no nº 13), construído por Mansart de Jouy (1737). Demolido em 1404 e depois reconstruído em 1517 por Morlet de Museau, conselheiro do rei, foi residência do duque de Norfolk, embaixador da Inglaterra em 1533, e depois do almirante de Brion (1543), companheiro de Francisco I durante sua prisão. O hotel, então chamado « de Loiraine », pertencia a Carlos III, duque da Lorena. Adquirido por François Dauvet, presidente do Parlamento, foi parcelado.
O prédio abriga hoje uma escola religiosa de observância rigorosa, a yeshiva Yad-Mordechai, onde o estudo da Torá é praticado segundo a Halakha, exigindo o uso da quipá e dos tsitsits.
No nº 12 ficava o pequeno Hôtel de Brienne, antes chamado Hôtel de Chavigny, integrado à prisão da Petite-Force durante o ministério de Jacques Necker. François Denis Tronchet (1726-1806), presidente do Senado e advogado de Luís XVI, viveu e morreu ali. A Union Compagnonnique, fundada em 1875 por Agricol Perdiguier, ali estabeleceu sua sede, reunindo, segundo um ritual único, cozinheiros, açougueiros, confeiteiros, douradores, escultores, etc.
Os nº 16 a 22 da Rua Pavée no Marais correspondem ao local da antiga prisão da Petite-Force. Sua demolição no início do século XIX permitiu a abertura da Rue Malher.
No nº 24, o Hôtel d’Angoulême-Lamoignon (antigo Hôtel d’Angoulême) abriga a Biblioteca Histórica da Cidade de Paris. Seus planos foram encomendados em 1559 por François de Pisseleu, abade de Saint-Corneille, perto de Compiègne. A partir de 1584, Diana de França, filha do rei Henrique II, tornou-se sua nova proprietária. A duquesa de Angoulême ali viveu até sua morte em 1619. Em 1650, o hotel foi vendido a Guillaume de Lamoignon, primeiro presidente do Parlamento de Paris, que o mandou reformar pelo arquiteto Robert de Cotte.
Residência de Alphonse Daudet em 1867, foi o centro das rodas literárias. A comunista Marie La Cécilia ali viveu no final de sua vida, em 1893.
Madame Denis, nascida Marie Louise Mignot, sobrinha de Voltaire, que manteve com ele uma paixão amorosa, viveu na Rua Pavée, no Marais.
Um convento de jovens chamado « Nouvelles catholiques » instalou-se na rua em 1647, antes de se mudar para a Rue Sainte-Anne e ser desmantelado em 1790.