Teatro Marigny, 170 anos de espetáculos variados e originais

O teatro Marigny está localizado na place Marigny, nos jardins dos Champs-Élysées, no cruzamento entre a avenue des Champs-Élysées e a avenue de Marigny, no 8.º arrondissement de Paris.
Origem do teatro Marigny
Após a revolução de 1848, um pequeno teatro chamado « Le Château d’enfer », dirigido por Lacaze, apresentava espetáculos de « física divertida, fantasmagoria e curiosidades » – na realidade, ilusionismo.
Esta modesta atração teve de fechar as portas, mas Jacques Offenbach obteve o direito de a utilizar, julgando-a ideal para a Exposição Universal de 1855. Após obras, inaugurou aí, a 5 de julho de 1855, o Théâtre des Bouffes-Parisiens, rapidamente rebatizado como Bouffes d’été, uma vez que a companhia de Offenbach aí se refugiava no inverno no Bouffes d’hiver, na rue Monsigny (este teatro conservaria o nome de Bouffes-Parisiens até aos dias de hoje).
A moda dos « panoramas »
Após uma sucessão de proprietários, o teatro foi demolido em 1881 para dar lugar, em 1883, a um « panorama » construído por Charles Garnier, o arquiteto da Ópera de Paris. Em 1885, podia-se aí admirar os dioramas *Paris através dos tempos*, em oito telas de Theodor Josef Hubert Hoffbauer (1839-1922), e *Jerusalém*, de Olivier Pichat.
O nascimento do teatro Marigny
O Panorama foi transformado num teatro de rotunda em 1894 pelo arquiteto Édouard Niermans. Dirigido por Abel Deval a partir de 1910, o teatro continuou a produzir espetáculos de sucesso. Foi ampliado e modernizado em 1925 pelo seu novo diretor, Léon Volterra, já à frente do Théâtre de Paris e do Eden.
A companhia Renaud-Barrault
Em 1946, confiou a direção do teatro à sua esposa, Simone Volterra, que recorreu a antigos membros da Comédie-Française para formar uma companhia « residente » em torno de Jean-Louis Barrault: nascia a companhia Renaud-Barrault.
Em 1954, Jean-Louis Barrault mandou construir uma segunda sala no teatro, o Petit-Marigny.
Por fim, de 1966 a 1978, a direção foi assegurada pela atriz Elvire Popesco, assistida por Hubert de Malet e Robert Manuel. Jean Bodson sucedeu-lhes e empreendeu importantes obras de renovação, bem como a transformação total da segunda sala num pequeno teatro de 311 lugares, a sala Gabriel, rebatizada alguns anos mais tarde como sala Popesco.
Evolução recente do teatro Marigny
A concessão do teatro (os edifícios pertencem à Cidade de Paris) foi atribuída em 2000 ao grupo Artemis de François Pinault. A gestão foi confiada a Robert Hossein de 2000 a 2008 e, a partir de 2008, a Pierre Lescure.
Fechado desde julho de 2013, estão previstas obras de reabilitação, após as quais o grupo Fimalac substitui o grupo Vinci. A direção artística do espaço foi confiada a Jean-Luc Choplin, antigo diretor do teatro Châtelet, que reorientou a programação para o teatro musical. A reabertura ocorreu em novembro de 2018 com a adaptação cénica do filme musical de Jacques Demy e Michel Legrand, *Peau d’âne*.
O programa televisivo « Au théâtre ce soir »
O teatro Marigny acolheu, de 1966 a 1988, o programa televisivo « Au théâtre ce soir », bem como várias cerimónias dos Prémios Molière.
Pequena história de um evento insólito
A 1 de junho de 1938, Ödön von Horváth, dramaturgo e escritor alemão, morreu em frente ao teatro, atingido por um ramo de castanheiro arrancado por uma tempestade. Em 1998, uma placa em sua homenagem foi colocada pela sua editora, Thomas Sessler Verlag, na fachada esquerda do teatro Marigny (Paris 8.º).