Pirâmide do Louvre, objeto de polêmicas, de avanços estéticos e técnicos
A Pirâmide do Louvre é uma pirâmide de vidro e metal, localizada no centro do Pátio Napoleão do Museu do Louvre, em Paris. Ela constitui a entrada principal do museu. Foi inaugurada pela primeira vez pelo presidente da República, François Mitterrand, em 4 de março de 1988 (ou seja, dois meses antes das eleições presidenciais de 1988!), e pela segunda vez em 29 de março de 1989 pelo mesmo presidente. No entanto, as obras só foram concluídas quatro anos depois, em 1993. Quem sabe por que duas inaugurações "antecipadas"?
A batalha da Pirâmide do Louvre
Este período foi marcado por inúmeros conflitos nas decisões políticas e nos confrontos.
A ideia de utilizar a antiga residência dos reis inteiramente como museu.
Isso implicava deslocar o Ministério das Finanças, que ocupava o Pavilhão Richelieu desde 1871. Essa decisão provocou resistência de muitos funcionários das finanças que trabalhavam no Louvre desde o início de suas carreiras. Vale notar que esse desejo de atribuir ao Louvre sua plena vocação cultural remonta ao século XIX e, sobretudo, a uma ideia avançada em 1927 pelo diretor do museu da época.
A decisão de confiar a construção da Pirâmide do Louvre ao arquiteto sino-americano Ieoh Ming Pei.
François Mitterrand havia apreciado a obra que este realizara alguns anos antes na National Gallery de Washington. O presidente francês expressou sua admiração durante uma entrevista organizada por Jack Lang, ministro da Cultura, no final de 1981. Sem o admitir, François Mitterrand já havia escolhido Pei desde o início para conceber o Grand Louvre. Um ano depois (1982), Émile Biasini, diretor do Teatro, da Música e da Ação Cultural no Ministério da Cultura, foi encarregado de liderar uma missão de estudo e coordenação para o museu. Ele logo se reuniu com o arquiteto sino-americano, Ieoh Ming Pei.
A decisão de nomear o arquiteto sino-americano Ieoh Ming Pei sem concurso público.
As grandes obras (ou mesmo as de menor porte) normalmente são realizadas na França por meio de "concursos públicos".
No entanto, o arquiteto foi nomeado sem concurso, um favor do príncipe tornado possível por um artifício jurídico que classificava a obra como uma reforma… em termos simples, foi um engodo. Pei seria oficialmente apenas um “consultor” do arquiteto-chefe do Palácio Nacional, enquanto se preparava para lançar obras colossais, principalmente subterrâneas, que duplicariam a área do museu… e ergueriam uma pirâmide no coração do Louvre.
A revelação da Pirâmide do Louvre
Só no outono de 1983 a ideia da pirâmide foi apresentada a Émile Biasini, que visitou Pei em Nova York. O arquiteto americano seguiu então ao Palácio do Eliseu com Michel Macary, um colega parisiense que o auxiliava no projeto. Na maquete que apresentaram, aquele poliedro de vidro ocupava o lugar da entrada da Cour Napoléon. Jack Lang e vários responsáveis pelo patrimônio estavam presentes. Todos ficaram estupefatos. Diga-se que os dirigentes franceses da época (ou seus representantes) pouco se importavam com uma obra de tal envergadura, que normalmente exigiria um acompanhamento rigoroso do mestre de obras.
Além disso, Pei estava convencido de que seduziria facilmente o grande público.
Ele apresentou seu projeto da Pirâmide do Louvre, em 23 de janeiro de 1984, à Comissão Nacional dos Monumentos Históricos. A plateia era muito conservadora.
Na sala mergulhada na escuridão para a projeção, as críticas voavam, sem que fosse possível identificar os seus autores. "Isto não é Dallas!". Mas graças a uma manobra hábil do presidente da sessão, que procedeu a uma votação "em bloco", apenas 13 dos 49 membros da comissão se pronunciaram firmemente contra o projeto. Jean-Pierre Weiss, diretor do patrimônio, havia de fato agrupado numa única votação a reorganização do Louvre — unanimemente desejada — e o projeto da pirâmide contestado.
A polêmica inflamou-se imediatamente na imprensa.
Um artigo do acadêmico Jean Dutourd lançou um "apelo à insurreição". No *Le Monde*, o cronista André Fermigier indignava-se por "o pátio do Louvre ser tratado como um anexo de Disneyland". Rapidamente foi silenciado e os recalcitrantes foram discretamente afastados. Jack Lang cuidou para que essa oposição não fosse retomada por Jacques Chirac, então prefeito de Paris. Ele solicitou o apoio de Claude Pompidou, viúva do ex-presidente, e do músico Pierre Boulez, duas personalidades influentes aos seus olhos. Chirac recebeu Pei e Macary na Prefeitura em 9 de fevereiro. Encantado com a maquete, declarou: "É muito interessante, mas vocês o fazem muito mal politicamente!".
François Mitterrand não deu ouvidos às outras polêmicas.
Deu luz verde definitiva num comunicado de imprensa de 13 de fevereiro, zombando da controvérsia que persistia.
Ele desejava agora levar adiante a construção do Grand Louvre, prejudicada pela vitória da direita nas legislativas de 1986. A reeleição de François Mitterrand em 1988 permitiu a continuação das obras, concluídas em 1993, quatro anos após a inauguração e abertura ao público da pirâmide e da sala Napoleão, em 29 de março de 1989.
A Pirâmide do Louvre e a tecnologia
A estrutura metálica da Pirâmide do Louvre, que sustenta o revestimento de vidro, é composta por aço e alumínio e pesa 200 toneladas. Ela é formada por uma armação de aço de 95 toneladas e um quadro de alumínio de 105 toneladas.
A grande Pirâmide do Louvre atinge 21,64 metros de altura sobre uma base quadrada de 35,42 metros de lado. Sua área no solo é de 1.254 m². Ela é coberta por 603 losangos e 70 triângulos de vidro. Trata-se da primeira grande construção a utilizar vidro laminado.
Não uma, mas cinco pirâmides – A Pirâmide Invertida
A grande Pirâmide do Louvre é rodeada por três réplicas menores de 5 metros de altura, formando poços de luz... e de uma quinta pirâmide. Esta última mede sete metros de altura. Ela é invertida, ou seja, seu topo está voltado para baixo, e foi construída sob o Carrossel do Louvre.
Essa pirâmide invertida não pode estar em contato direto com o exterior, pois a água se acumularia. Por isso, é coberta por uma superfície adicional de vidro do mesmo tipo. Esta última é quase plana e fica oculta abaixo do nível natural do solo, no centro da Praça do Carrossel, por meio de sebes.
O vidro laminado: um desafio
A qualidade do vidro utilizado também representou um desafio. Era muito difícil atender às exigências do arquiteto e fornecer um vidro o mais incolor possível, apesar da espessura de 2,1 cm das placas. A empresa francesa que venceu a licitação (Saint-Gobain) optou por um tipo de vidro pouco sensível a esse efeito. Ela produziu um vidro laminado por meio de uma técnica de forno elétrico, composto por eletrodos de grafite ou molibdênio.
A iluminação ecológica da Pirâmide do Louvre
Desde 2011, os 4.500 projetores que iluminavam a pirâmide e as fachadas do palácio, já no fim de sua vida útil, foram substituídos por um novo sistema de iluminação exterior. Segundo a Toshiba, parceira do Louvre responsável pela instalação desse equipamento economizador de energia com base em LEDs, o sistema permite reduzir o consumo anual de eletricidade para iluminação externa em 73%.
O projeto “Pirâmide” para aumentar a capacidade de acolhimento do Louvre
Na época de sua inauguração, em 1989, os espaços de acolhimento do Louvre eram projetados para receber entre 3 e 5 milhões de visitantes. Vinte anos depois, o museu recebia 9,5 milhões de visitantes.
Essa subcapacidade gerou filas mais longas, dificuldades de orientação e poluição sonora. A direção do Louvre lançou o projeto “Pirâmide” entre 2014 e 2016, que consistiu em reorganizar os acessos e a sala de acolhimento Napoleão sob a pirâmide.