As greves na França previstas para 10 de setembro estão gerando rumores alarmantes entre os turistas em Paris ou entre aqueles que precisam se deslocar pelo país nessa data ou nos dias próximos. Veja o que se sabe 15 dias antes sobre a greve/mobilização organizada em um contexto social e orçamentário tenso.
Para saber mais sobre as greves na França, clique em Greves na França: impacto nos turistas e perturbações nas viagens em Paris.
Origem e contexto das greves na França em 10 de setembro
O movimento « Bloquons tout » (ou « Vamos bloquear tudo em 10 de setembro ») surgiu em julho de 2025 nas redes sociais e em um canal do Telegram, inicialmente em círculos soberanistas anônimos, antes de se espalhar amplamente na imprensa.

Foi lançado em reação ao plano de austeridade drástico de 43 a 44 mil milhões de euros do governo Bayrou, que inclui a supressão de dois feriados (a segunda-feira de Páscoa e o 8 de maio), reduções nos serviços públicos e um congelamento das pensões.
Objetivos e métodos de ação das greves na França a 10 de setembro
O movimento convoca a uma paralisação total do país, recusando trabalhar, consumir, enviar as crianças à escola ou utilizar os transportes. São propostas várias formas de protesto:
- Boicote às grandes redes (Carrefour, Auchan, Amazon), retirada de fundos dos bancos tradicionais, recusa de consumo (gasolina, fast fashion, Uber, etc.);
- Desobediência civil: greves nos serviços públicos (transportes, saúde, educação), ocupação de edifícios públicos, redução da produção.
Um mapa interativo publicado no site do movimento (antes de ser removido) indicava os protestos previstos em várias cidades francesas.
Apoio e posição dos sindicatos
O movimento, por enquanto, permanece não estruturado, sem afiliação sindical ou política oficial, e organiza-se de forma horizontal.
Apesar dessa ausência de estrutura formal, várias forças políticas já manifestaram seu apoio:
- O partido de esquerda « La France Insoumise (LFI) » convoca a aderir à mobilização.
- Os « Verdes » e o « Partido Comunista Francês » (PCF) também manifestaram apoio.
- O Partido Socialista, por sua vez, adota uma posição de espera sem se comprometer, enquanto François Hollande (ex-presidente da República e socialista) se distancia, destacando a falta de controle e clareza do movimento.
- Vários sindicatos apresentaram préavisos de greve abrangendo setembro ou o período de 1º de setembro a 30 de novembro (!), mas nenhum préavis específico para o dia 10 de setembro foi depositado por um sindicato.
- Os setores mais suscetíveis de serem afetados são: os transportes ferroviários (sindicatos CGT, Sud-Rail), energia (EDF com a CGT), farmácias e o setor hospitalar (notadamente em Paris com a AP-HP).
Percepção do público frente às greves do dia 10 de setembro na França
Segundo uma pesquisa Toluna–Harris Interactive para a RTL publicada em 22 de agosto, 63 % dos franceses apoiam este movimento de bloqueio, enquanto 26 % se opõem e 11 % permanecem indiferentes.
O que esperar no dia 10 de setembro?
De acordo com os meios de comunicação, o dia promete ser difícil na Ilha de França: greve geral, perturbações significativas nos transportes, possíveis fechamentos de escolas e lentidão nos serviços públicos.
As grandes cidades francesas e suas redondezas também devem ser fortemente afetadas.
Se estiver a viajar, preveja esperas prolongadas e cancelamentos de transportes.
1. Transportes públicos na Ilha de França
- Metro/RER (Ilha de França)
- Espera-se uma elevada taxa de grevistas na RATP e na SNCF.
- Risco de encerramento completo de linhas e de serviços reduzidos, sobretudo nas horas de ponta.
- Algumas linhas automáticas (metrôs 1 e 14) deverão funcionar, mas estarão muito frequentadas.
2. Comboios de longo curso (SNCF) entre cidades francesas
- Os TGV, Intercités e TER sofrerão fortes perturbações.
- Preveja cancelamentos de última hora.
- Para mais informações, consulte « Greves na SNCF de 5 a 11 de maio de 2025: quais as previsões? ».
3. Aviões e aeroportos
- Risco de atrasos e cancelamentos se os controladores aéreos aderirem ao movimento.
- Verifique o seu voo na véspera no site do aeroporto ou da companhia aérea.
4. Saúde e serviços públicos
- Hospitais e farmácias: serviço mínimo garantido (urgências asseguradas), mas podem ocorrer atrasos.
- Correios, serviços fiscais e administrações: encerramentos ou horários reduzidos.
5. Consumo e comércio: apelos ao boicote de supermercados e grandes superfícies
- Algumas estações de serviço e cadeias logísticas podem sofrer atrasos.
- Antecipe-se fazendo suas compras na véspera.
Manifestações e bloqueios – Mapa das mobilizações: o que saber
São esperados protestos e bloqueios em grandes cidades francesas, incluindo Paris, onde locais-chave como République, Bastille e Nation são frequentemente citados como potenciais pontos de mobilização. Setores como estações de trem (SNCF), RER e metrô, hospitais, farmácias, estações de serviço e até mesmo algumas vias estratégicas estão sujeitos a chamados para greves ou bloqueios.
Perturbações no trânsito: dê preferência a bicicleta, caminhada ou teletrabalho.
Pontos potenciais de bloqueio em Paris:

- Grandes praças e cruzamentos (República, Bastilha, Nação em Paris)
- Estações principais (Gare du Nord, Gare de l’Est, Gare de Lyon, Montparnasse também em Paris)
- Metrôs e RER de Paris
- Aeroportos (Roissy e Orly) e grandes eixos rodoviários (nomeadamente os anéis viários em torno das cidades)
- Périphérique parisiense (portas de Paris: Porte de la Chapelle, Porte de Vincennes, etc.)
- Centros logísticos, depósitos de combustível, supermercados
- Estabelecimentos de ensino (liceus-alvo da USL)
- Hospitais e farmácias
Dicas práticas em caso de greve na França em 10 de setembro
- Consulte informações em tempo real:
- RATP.fr (metrô/ônibus)
- SNCF Connect (trens)
- Bison Futé (trânsito).
- Faça suas compras até a noite do dia 9 de setembro.
- Baixe aplicativos de mobilidade alternativa (Vélib’, Dott, Tier, Blablacar Daily).
- Se precisar se deslocar por longas distâncias, antecipe-se e saia na véspera ou no dia seguinte.